Duas realidades
Duas realidades
Por : Comendador Cesar A Salgueiro
Eu tenho duas realidades: quando estou nas redes, foco na visibilidade; mas, na vida real, prezo pela invisibilidade.
Não se trata apenas da minha timidez ou de qualquer outro complexo idiota do qual um cientista qualquer se intitulou dono ou descobridor. Minha vida real e privada foi toda calcada na individualidade, na responsabilidade de cada atitude tomada, de cada palavra dita ou escrita.
Não conheço, nem reconheço, a sociedade — seja ela social ou profissional — pregada no cotidiano hipócrita deste falso, embora real, mundo humano e selvagem. Um mundo no qual de verdade vivemos, não sei se feliz ou infelizmente. A verdade é feia, fria e inacreditável.
Não me sinto confortável quando alguém se aproveita do cobertor curto, puxa os meus pés e enfia um recado entre os meus dedos, que, na verdade, é um alarme contra o perigo que sempre está à espreita: o apego, a dependência, o tão reverenciado amor. Essa dor que incomoda, mas que é desejada pelos incautos.
Não, eu prefiro a invisibilidade na vida real. Caminhar incognitamente entre a multidão de solitários e infelizes, crentes na felicidade da morte em vida a dois.
Eu sou real: sou pedra, sou água, sou vento e queimo como fogo. Eu sou o que nasceu só, cresceu só, aprendeu só e vai morrer só. Aprendi a lidar com o amor, a desafiar a dor que ele impõe e a sobreviver às suas armadilhas. Não vou agora, depois de traumatizado e ferido, mergulhar nessa escuridão de incertezas e sentimentos confusos que me levariam a um lugar que conheço bem.
Este lugar, o meu lugar, é onde estou. E estou bem aqui. 🌺
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