O Amor no Modo Avião
O Amor no Modo Avião: Por: Comendador Cesar A. Salgueiro Vivemos a era do amor asséptico. Fugimos para o virtual não por modernidade, mas por uma estratégia de redução de danos. O amor real — aquele de carne, osso e boletos — é barulhento, faz sujeira e, acima de tudo, dói. O amor de verdade vem acompanhado de sentimentos que não são bonitos: o ciúme que corrói, o tédio das tardes de domingo e a exposição das nossas falhas, sem filtros. Diante do medo de sermos feridos, escolhemos a frieza do vidro. Mas por que o virtual nos seduz? … No chat, temos o poder de editar nossa própria vulnerabilidade; apagamos o erro antes que o outro o veja e projetamos no próximo apenas aquilo que nos falta. Assim, apaixonamo-nos por pixels, não por pessoas. Afinal, onde não há toque, não há risco; e onde não há entrega, não há cicatriz. O amor virtual é indolor, mas funciona como um alimento sintético: mata a fome de companhia, mas não nutre a alma. Ao fugirmos d...