O Animal Não Domesticado
O Animal Não Domesticado Por: Comendador Cesar A Salgueiro Se existe uma razão única para eu permanecer só, ela atende pelo nome de liberdade. Ou, mais especificamente, pela recusa ao controle que, provavelmente, um outro tentará exercer sobre mim. Cresci sem rédeas. Órfão de pai aos nove anos, com uma mãe ausente pela dura necessidade de prover o nosso lar. Naquela idade, eu já carregava a chave no bolso e o destino nas mãos. Cuidava de mim do meu jeito, fazia as escolhas que julgava melhores. Não havia ninguém para me conduzir ou ditar caminhos; eu já era o dono absoluto do meu livre arbítrio. Minha mãe era a companhia dos fins de dia e dos domingos. Com ela, aprendi o ofício da casa e o tempero da cozinha. Mas, quando ela partiu, fiquei à deriva. Um jovem de 22 anos, desempregado e solto no mundo, sem casa, sem colo, sem abraço e sem paradeiro. Como aceitar, depois de uma vida respondendo por mim mesmo, que alguém se intitule dono das minhas escolhas? Eu tentei. Mas, ao ...