O Medo de Ser Amado aos 72
O Medo de Ser Amado aos 72 (Uma crônica sobre o pânico, a beleza e a aceitação do afeto) Por Comendador Cesar A Salgueiro Dizem que o pânico é um medo sem rosto, um visitante indesejado que chega ao amanhecer e se recusa a ir embora ao anoitecer. Eu o conheço bem. Convivo com essa sombra que me sussurra perguntas sobre o amanhã e me faz temer o que ainda nem veio. Mas o que mais me intriga nesta jornada, aos meus 72 anos, não é a solidão — é, por incrível que pareça, o excesso de carinho. Eu me olho no espelho e vejo o tempo. Vejo as marcas, o cansaço, a beleza que eu acredito já ter partido há muito. No entanto, o mundo parece discordar de mim. Recebo afetos generosos, tanto de amigos físicos quanto virtuais. Homens e mulheres que me cercam de atenções, que me chamam de bonito, que me tratam com uma reverência que eu, às vezes, sinto não merecer. Confesso: esse amor me assusta. Dá medo de decepcionar, de não estar à altura de tanta gentileza. É como se eu vives...