O Altar da Janela
O Altar da Janela Por Comendador Cesar A Salgueiro Não espero pelo feriado, nem pelo fim do mês, Eu amo o tempo agora, em toda a sua nudez. Amo o dia que passa, o pulsar, a batida, O simples e imenso milagre de estar em vida. Amo o Sol que me invade e a chuva que cai, O ciclo do mundo que vem e que vai. Amo a brisa vadia que no rosto descansa, Lembrando que a alma ainda é criança. Minha varanda é o reino, o meu camarote, Onde a sorte me encontra sem que eu peça sorte. Ali vejo o mundo, o céu, o destino, E o que era gigante se faz pequenino. Amo a tarde de sábado, mansa e dourada, A promessa de pausa na longa jornada. E a manhã de domingo, com seu véu de paz, Onde o tempo se estica e o coração faz mais. Sem peso ou amarra, sem pressa ou engano, Amo a segunda, o humano, o cotidiano. Pois quem ama a semana, do início ao fim, Faz do próprio peito um eterno jardim. Bem vinda segunda-feira 🌺 Baseado na Crônica “O Ofício de Amar os Dias” de autoria do próprio Comendador.