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MAIS UMA REFLEXÃO

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  Aquela Reflexão Matinal Por Comendador Cesar A Salgueiro  Tenho por hábito refletir sobre a vida, a minha vida: as coisas que vi, passei, senti e vivi. Foi uma longa jornada até aqui. Foi divertido, às vezes duro; foi educativo, informativo e, outras vezes, fútil.  Conheci um mundo de gente, mas "pessoas" foram poucas. Algumas importantes, outras só figurantes. Mas trouxe comigo alguns tesouros. Trouxe um amigo maduro que escolhi como irmão, que passou alguns desses momentos ao meu lado e até hoje me presenteia com sua atenção e acolhimento no seio de sua família. Trouxe um amigo não tão maduro, mas que escolhi como irmão mais novo e que me viu crescer como homem, como profissional e como o político que fui, quando fui. Esse é aquele que chamo de “meu garoto”. E trago no meu coração um amor que partiu cedo para o outro plano, a quem devo a minha vida e tudo o que sou hoje. Minhas escolhas foram as escolhas desse amor. Se Deus não tivesse tanto ciúme de mim e dos meus am...

72 Anos: O Menino que Aprendeu a Vencer

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  7 2 Anos: O Menino que Aprendeu a Vencer Por Comendador Cesar A Salgueiro   Amanhã, às 23:15, completo meus 72 anos. Quem me vê hoje, feliz e em paz no meio da floresta na Serra Carioca, talvez não imagine a estrada que percorri para chegar aqui. A vida me desafiou cedo. Aos 10 anos, me vi órfão de pai. Aos 16, emancipado, já conhecia a dureza de não ter onde dormir após a partida da minha mãe. Fui o menino que cresceu sozinho, que dormiu na rua, mas que nunca aceitou que aquele fosse o seu fim. Daquele chão duro, levantei. Morei no Mato Grosso, vivi com os índios, encontrei anjos desconhecidos pelo caminho e transformei minha dor em luta. Aquele menino virou Presidente do Sindicato do Judiciário Fluminense e da Federação Nacional. Caminhei ao lado de Brizola, lutei pelos direitos de tantos, talvez para compensar as vezes em que tive que lutar sozinho por mim. Hoje, aposentado desde 2014, minha maior conquista é essa paz. Agradeço aos milhares de amigos aqui das redes e à vi...

Do BANHEIRO AO EXÍLIO

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   Do BANHEIRO AO EXÍLIO  Por Comendador Cesar A Salgueiro  Quando revisito as memórias de como fui retirado da vida política, a amargura cede lugar a uma clareza cortante: “eu fiz o que era certo”. E, no xadrez do poder, fazer o certo costuma ter um preço alto. O ambiente político pode ser um mundo de sombras, onde a honestidade é vista como ingenuidade e ideais nobres são tratados como fraquezas.  Para quem enxerga apenas o poder pelo poder, alguém que trabalha por convicção é um erro no sistema.  Fui julgado e crucificado por mentes que adoeceram na própria ambição; exilado e difamado até que selassem todas as portas para o meu retorno. O que eles não perdoam, no fundo, não são meus erros, mas meus acertos. Não perdoam os salários dignos, a valorização do servidor ou o fato de eu ter transformado um sindicato — que nasceu precariamente em um banheiro desativado do fórum central — em uma instituição de respeito.  Erguer uma sede social, uma sede recr...

Reflexões aos 72

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  Reflexões aos 72 Por Comendador Cesar A Salgueiro  Com a proximidade do meu aniversário, começam as reflexões sobre a história que escrevi nestes últimos 72 anos. Vejo um menino franzino, de pés no chão e roupas largas — daquelas que vêm passando de primos e irmãos mais velhos; notava-se que não tinham sido compradas para ele.  Aquele menino solto, correndo sozinho pelas calçadas, levava um galho de árvore na mão que fazia o papel de revólver. No peito, um broche de xerife imaginário. Ele corria, olhava para trás e atirava em algum bandido, também imaginário. A ausência dos irmãos, de amigos ou de atenção não parecia incomodar aquele garoto dentuço, que parecia saber, desde cedo, que era diferente.  Eu era um menino que gostava de brincar com as meninas; brincávamos de "família". Eu era o marido e o pai; elas, a esposa e as filhas. Na fantasia, eu bebia e brigava com a esposa e as filhas; era durão, do tipo "machão". A esposa fazia comida e varria a casa imaginári...

Entre a Dor e o Renascer

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Entre a Dor e o Renascer Por Comendador Cesar A Salgueiro  Ninguém acorda querendo a dor. Ninguém gosta de expor as vulnerabilidades da essência ou admitir que o fardo, às vezes, pesa mais do que as pernas podem suportar. Na vida moderna, fomos ensinados a aplaudir apenas a força, o lucro e a vitória, escondendo as doenças invisíveis e o cansaço que a busca incessante por poder e fama nos impõe. Mas o corpo grita. 🗣️ Hoje, meu corpo pede pausa. Talvez seja o "inferno astral" batendo à porta, anunciando que o meu ano pessoal está terminando para que outro comece. Não importa o diagnóstico exato agora; o que importa é a compreensão de que somos todos sobreviventes dessa modernidade frenética. Entender nossas fragilidades não é um ato de derrota, mas de estratégia. É preciso aceitar a pausa para conseguir corrigir a rota. É no silêncio do quarto escuro que percebemos: só quem admite que algo se quebrou pode reconstruir. 🧱 Eu não desisto. Encaro este momento não como um fim, ma...

A Aliança Comigo Mesmo

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  A ALIANÇA COMIGO MESMO Por  Comendador Cesar A Salgueiro   Dizem que ninguém nasce sozinho, mas eu aprendi a ser só aos nove anos de idade. Enquanto o mundo lá fora seguia seu curso, eu precisei construir meu próprio porto seguro dentro de mim.  Atravessei desertos, vivi momentos difíceis e alguns raros dias de sol, mas sempre com uma certeza silenciosa: eu era o único braço em que poderia me apoiar. E nessa caminhada, meu corpo selou um pacto comigo. Ele nunca me deixou na mão. Eu nunca soube o que é ser derrubado por uma doença.  Passei pela vida com uma saúde que desafia a lógica. Tive cirurgias, sim, daquelas que foram necessárias e importantes, mas não sou de tomar remédio e não me dobro fácil. Meu corpo não é apenas carne e osso; ele é meu aliado de toda uma vida. É por isso que, quando acontece alguma coisa comigo, por menor que seja — como uma simples dor de cabeça — eu não me conformo. E quando me passam diagnósticos, conselhos ou sugestões, eu sempre...

O Arco e a Flor

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  O Arco e a Flor Por Comendador Cesar A Salgueiro  Tudo bem, eu estava dormindo, mas eu vi um índio coberto por uma luz azul. Ele carregava um cocar de penas coloridas que se estendia como uma cauda por toda a extensão da nuvem branca por onde caminhava. Trazia nas mãos um arco e uma flor. No começo, não entendi de onde ele vinha, qual o seu propósito ou o seu destino. Aos poucos, fui me dando conta de que se tratava de mim mesmo, em busca de respostas para meus conflitos existenciais. A verdade é que uma dor de cabeça crônica não me deixa visualizar a saída. O índio veio para me salvar — um ritual tribal, talvez, ou quem sabe uma Coristina... Eu quero, embora sinta que não devesse, acordar e seguir com ele. Será apenas curiosidade? Aquela flor, o arco, o cocar, a luz... tudo me seduz a ponto de eu esquecer a dor. Agora, somos apenas o índio e eu. Sei que vou acordar e, mais uma vez, agradecer pelo milagre da vida; mas, desta vez, o índio estará ao meu lado: protegendo-me com...

O Inventário do Sossego

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  O Inventário do Sossego Por Comendador Cesar A Salgueiro  - Janeiro de 2026  Dizem que janeiro é o mês de "zerar" a vida, de traçar metas audaciosas e carregar o peso de novas responsabilidades. Pois eu, do alto dos meus 72 anos, peço licença para discordar.  Não quero o novo se ele vier acompanhado de pressa. Não quero promessas se elas me roubarem o tempo de observar o voo de um passarinho ou o brilho de um sorriso sincero. Sinto um cansaço, é verdade, mas não é um cansaço de desânimo. É o peso de quem já carregou muita bagagem e, agora, decidiu caminhar apenas com o que cabe no bolso: uma caneta, um papel e a vontade de ser feliz.  Minha ambição hoje é uma "vidinha normal". E que luxo é esse! Ter o direito de acordar e não querer mudar nada, apenas continuar sendo esse senhor que, por dentro, ainda brinca como criança. Minha escrita não tem compromisso com o sucesso, tem compromisso com a alma. Escrevo para ver o mundo melhor.  Gosto de andar pelas rua...

O meu Inferno Astral

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  O meu Inferno Astral Por Comendador Cesar A Salgueiro  Dizem que o inferno astral é uma convenção, mas para mim, nestes últimos dezenove dias, ele tem sido uma parede de vidro.  Eu vejo as pessoas, elas me veem, mas o som chega distorcido. Ontem, sonhei com o filho de um ídolo da boemia; ele ia embora sem dizer nada, e no sonho, aquele silêncio não me doía, ele me explicava. O que dói, na verdade, é a pressão aqui fora. Os amigos, com suas boas intenções que pesam como chumbo, querem que eu descreva o indescritível. Querem que eu gestione a mágoa deles, como se eu fosse o responsável pelo que eles sentem quando eu decido me calar.  Não estou no meu 'normal', seja lá o que o normal signifique hoje.  Sinto uma tentativa de manipulação sutil, disfarçada de cuidado, que tenta me puxar para uma festa onde eu sou o convidado de honra, mas prefiro ser o observador invisível.  Este ano, meu presente de aniversário não é festa, é o respeito ao meu espaço. 🌺

O Labirinto do Afeto Trocado

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   O Labirinto do Afeto Trocado Por Comendador Cesar A Salgueiro  Existe uma armadilha silenciosa no carinho.  É aquela vontade legítima de acolher o outro, de oferecer o ombro, de dar o braço e caminhar junto porque a companhia é boa, o papo flui e a alma sorri.  É o que chamamos de amizade — esse amor que não pede contrato, nem exclusividade, nem beijo na boca. O problema é que o afeto é um idioma que cada um traduz como quer. Você abre a porta, prepara o café, ouve os problemas e ri das piadas. Faz tudo com o coração escancarado, acreditando que a transparência da sua intenção é óbvia.  Mas, do outro lado, cada gesto de cuidado é lido como um sinal de "quero algo mais". O braço que você deu para apoiar vira, na cabeça do outro, o laço que prende. Aí começa a dança do desconforto. Você percebe o olhar que mudou, a mensagem que traz uma segunda intenção, o toque que demora um segundo a mais do que o necessário. Você tenta explicar. Com todo o jeito do mund...

O Entre-Lugar

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  O ENTRE-LUGAR Por Comendador Cesar A. Salgueiro O movimento que antes era ímpeto físico — o nadar, o correr, o voar — converteu-se em uma angústia estática.  Encontramo-nos em um limbo estranho, comprimidos entre um passado obsoleto e um futuro indecifrável. Temos asas, mas nos falta a bússola. No início, rastejar pelo chão áspero era doloroso, mas havia um mapa.  Quando a evolução nos devolveu aos oceanos e a química orgânica se complexificou nas águas, ganhamos agilidade, mas perdemos a rota. Pela sobrevivência, retornamos à terra. Fugindo do perigo dos mares, desenvolvemos membros robustos, conquistamos a velocidade e, finalmente, o céu. Voar é magnífico, contudo, o vazio persiste.  O drama da nossa era não é a escassez de progresso, mas a permanência no "entre": o hiato entre o que fomos e o que ainda não ousamos ser.  Somos os seres que dominam as alturas, mas que ainda tremem diante da incerteza do horizonte. Nossa busca por respostas nos empurra às prof...

O Peso das Malas Vazias

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     O Peso das Malas Vazias Eu nunca fui bom com os pontos finais. Há quem diga que despedir-se é um tipo de libertação, mas, para mim, cada "adeus" soa como um rasgo.  Ao longo da vida, especializei-me em colecionar partidas: grandes amores que se tornaram estranhos, amigos que o tempo diluiu e lugares que hoje só visito na memória. Dizem que a gente se acostuma, mas a verdade é que o nó na garganta é sempre o mesmo. Não importa se é o terminal de um aeroporto ou o silêncio que fica no quarto depois que alguém vai embora; a sensação de que um pedaço da gente foi levado na bagagem do outro é constante.  Eu não gosto de partidas. Elas me deixam com essa sensação de inacabado, como um livro que teve a última página arrancada bem na hora do desfecho. Por causa desse peso, fiz uma escolha: o desapego. Decidi que prefiro o vazio da isenção ao risco da perda.  Hoje, caminho com as mãos leves e o peito blindado. Não quero mais me enraizar em novos rostos, não bus...

O Silêncio, O Lixo e a Pisadinha.

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  Dizem que a liberdade é um estado de espírito, mas, em  Benfica , ela tem um CEP muito bem definido e muros que não negociam.  Passei dez dias ali.  Dez dias que cabem em uma vida inteira se você souber medir o tempo pela velocidade com que as páginas de um livro passam. Por uma questão de segurança, o meu palco era solitário. Ninguém dividia a cela comigo. Era eu, meus pensamentos e o vazio de um cubículo que, ironicamente, me entregou um tesouro: um livro abandonado no lixo. No meio do descaso, a literatura.  Limpei a capa, sacudi a poeira do abandono e fiz dele meu interlocutor. Enquanto o mundo lá fora seguia seu curso, eu mergulhava em letras que alguém, em algum momento de desespero ou tédio, decidiu que não serviam mais. Para mim, foram o ar que faltava. O curioso de estar ali é que o silêncio nunca é absoluto. As paredes de Benfica são vizinhas da vida pulsante da comunidade. E a vida ali tem ritmo:  a pisadinha .  O grave vibrava no concreto...

O Amadurecimento Inverso

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  É assustador, amadureci rápido demais! Na juventude, o mundo me parecia um lugar grande demais, e eu, pequeno e inadequado. Eu me escondia. A timidez não era apenas um traço de personalidade, era um refúgio.    Eu me achava feio, e essa crença era o manto de invisibilidade que eu vestia todos os dias para evitar os olhares alheios. Vivia recolhido, como quem pede desculpas por ocupar um espaço no mundo.   Mas o tempo, esse mestre irônico, pregou-me uma peça das boas. Depois de velho, a vergonha parece ter cansado de mim e foi embora sem se despedir.    Hoje, para a minha própria surpresa, virei exibido. O espelho, que antes era meu juiz, tornou-se meu cúmplice. Engraçado pensar que a liberdade veio justamente de onde muitos buscam a perfeição: as redes sociais.    No início, eu era apenas mais um espectador, mas aos poucos, elas me fizeram me "achar".  Não o "achar-se" da arrogância, mas o de quem finalmente se encontra após décadas de dese...

Mundo Moderno

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   Mundo Moderno  Por: Comendador Cesar A Salgueiro. Eu acordei e ainda estava sonhando. Era uma guerrilha; era no sonho, mas era real. Acordado, sonhei com a mesma guerrilha. Na vida, na TV, no sonho, a ansiedade é a minha guerrilha, a mesma do sonho acordado, do sonho real. Eu tomei meus comprimidos e engoli a mesma agonia. Eu externei meus pensamentos e cuspi os horrores de dentro. Lá de dentro, o medo isolou a minha alma. Eu não quero sair de dentro, não quero acordar do sonho, não quero sonhar com o medo. Quero dormir abraçado à paz. 🙏

Um desejo por favor!

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  Um desejo por favor! Se fosse possível pedir um superpoder, o que eu pediria? Eu gostaria muito de penetrar nos pensamentos das pessoas, sentir o que elas sentem, ver o mundo como elas veem e conhecer suas fraquezas e seus sonhos. Tenho muitas dúvidas. Quantas dúvidas eu tenho e não sei. Quando olho para o meu garoto, fico imaginando o que se passa na cabeça dele. Eu o conheço há uma vida, mas só pelo que sai da sua boca. Mas como será ele por dentro, para aquém das palavras? Quando lembro dos meus pais, lembro do que via, do que ouvia, mas… quem eles realmente eram? Meus pais se conheciam? … Ou só se viam e se ouviam? Por mais que você me fale de você, o que não saiu da sua boca continua desconhecido para mim e, talvez, até para você mesma. Esse é o meu desejo: quero te ver de fora para dentro… Não, não minta! Você não se mostra por inteira para mim. Por mais que se esforce, você não se revela, e isso parece ser natural. Quem é você? … Quem são vocês? … Quem sou eu? … Quem somos...

A Recusa Cega e a Ironia do Destino

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    A Recusa Cega e A Ironia do Destino   Um motorista de aplicativo assiste a um assalto a mão armada. A vítima? Uma menina que corre atrás do bandido. Antes de subir na moto, o bandido atira contra a menina. O motorista não pensou duas vezes: acolheu a menina, que sangrava muito, em seu carro e a levou para a clínica mais próxima. A clínica se recusou a atender a menina caso não houvesse o pagamento adiantado ou a garantia dele. Após muito insistir, o motorista desesperado consegue que a recepcionista vá até o dono da clínica para tentar uma solução. O dono não escutou as razões da recepcionista e,sem nem olhar a paciente, negou o atendimento. O motorista, então, levou a menina para um hospital público, onde ela veio a óbito devido a demora no atendimento. Os médicos, após buscas, conseguiram localizar o número do celular da família e fizeram um contato telefônico para avisar do falecimento da menina. Nesse mesmo momento, o dono da clínica particular, que se recusou a a...

Tempo e Deus: Uma Reflexão Pessoal

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   Tempo e Deus: Uma Reflexão Pessoal Por Comendador Cesar A Salgueiro  É inevitável: desde o momento em que nascemos, eu estou subjugado ao tempo. Ele não é apenas o compasso de minha vida, mas o guia implacável que me conduz, a cada instante, até o meu fim.  O tempo é, em sua essência, traiçoeiro : pode ser incrivelmente bom e, ao mesmo tempo, cruelmente indiferente. Frequentemente ouvimos dizer que "Deus proverá" ou que "Deus trará a cura". Eu, no entanto, reformulo essa máxima. É o Tempo quem provê e é o Tempo quem traz a cura.  O Tempo é a materialização dessa força que molda nossa existência, dando-nos e tomando-nos, em um ciclo incessante. Minha única liberdade, meu verdadeiro livre-arbítrio, reside em como eu escolho utilizar esse recurso finito. É uma escolha que define quem eu sou.  Observo que os mais fragilizados tendem a buscar refúgio em rituais, em imagens e em religiões criadas por reis, políticos, loucos e sábios – estruturas erguidas pela ...

O Intervalo Solitário

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   O Intervalo Solitário Por Comendador Cesar A Salgueiro  A solidão é o primeiro e o último nome que recebemos, muito antes de nossos pais escolherem um.  Viemos ao mundo num grito que era só nosso, e partimos no silêncio que também será exclusividade da nossa alma. O que se estende entre esses dois instantes é o que chamamos, com alguma pretensão, de vida. E é nesse intervalo que a máxima da nossa existência se revela com uma clareza brutal: somos singularmente, irrevogavelmente, únicos. Não se trata da solidão física, aquela da casa vazia ou da mesa de restaurante para um. É a solidão existencial, a que nos lembra que ninguém pode respirar por nós, sentir a dor exata que nos atravessa ou decifrar o sonho que só vive em nossa cabeça. Ao longo do caminho, construímos castelos de tijolos, de carreiras, de amores e de certezas. Fincamos bandeiras no solo das conquistas e chamamos tudo isso de "meu": minha casa, minha fortuna, minha história.  Mas a vida, essa cro...

Eu vivi uma história de amor

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  Eu vivi uma História de Amor  Por Cesarsalg Eu sempre soube que para contar uma história real, é necessário que a desconstruamos antes. Eu queria contar alguma coisa bonita que aconteceu na minha vida, mas é claro que as coisas que machucam permanecem vivas por mais tempo; as boas se perdem no espaço e no tempo, e esquecemos delas rapidamente. Para poder contar esta história, eu a deslocarei do contexto e criarei uma nuvem branca que aos poucos vai se desfazendo; tentem imaginar dessa forma. Quando a nuvem se desfez completamente, eu estava subindo uma escada do tipo caracol; o lugar era escuro e bastante movimentado… … Eu estava me divertindo muito com alguns amigos, e seguíamos para o restaurante da boate que ficava no andar superior ao da pista de dança. A boate era super badalada e ficava no Leblon, Rio de Janeiro. Ao final da escada havia um lounge e logo em frente uma porta dupla de madeira envernizada. Podíamos ouvir perfeitamente o som que vinha do salão inferior, e ...

O Início de Tudo: Uma Reflexão em Meditação Por Comendador Cesar A Salgueiro

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   O Início de Tudo: Uma Reflexão em Meditação  Por Comendador Cesar A Salgueiro  Imerso na meditação, a pergunta surgiu: Quando, exatamente, a minha jornada começou? Acredito que o ponto de partida foi a corrida primal pela existência. Milhares de nós, seres minúsculos, competindo ferozmente pelo privilégio de alcançar um único óvulo. Não bastava chegar; era preciso perfurar e fertilizar. Eu venci aquela corrida. Mas a que custo? Meu prêmio foi a reclusão: nove meses confinado naquele 'ovo'. Fui, então, violentamente expulso para um ambiente de claridade esmagadora que me impedia de sequer abrir os olhos. Mãos estranhas me manipulavam, me viravam para todos os lados, até que me depararam com um mamilo quente. Dali emanava um líquido de sabor incerto, mas que, a partir daquele momento, se tornaria a minha única fonte de sustento. E foi assim que começou a minha 'vida' – uma transição brusca da reclusão para a submissão, do conforto uterino para a dependência de um lí...

Minhas Memórias - Capitulo 36

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  Capítulo 36 - A Amarga Desilusão de uma Trajetória Política Ao longo de doze anos, dediquei uma parte significativa da minha vida à representação e à gestão.  Foram oito anos à frente de uma entidade sindical, Sindjustiça Rj, e mais quatro anos na presidência da respectiva Federação Nacional, Fenajude.  Foi uma trajetória que deveria ser marcada por conquistas e legado, mas que, para mim, se tornou um relato de profunda desilusão. O que testemunhei e senti na pele não foi a celebração da divergência democrática, mas sim um embate impiedoso movido por um grupo político que demonstrou uma busca incessante e implacável por poder.  Para esses atores, a interferência no processo democrático se tornou um meio justificado por um fim. Vi de perto a utilização de táticas que, a meu ver, ultrapassam todos os limites éticos: a subjugação, a chantagem e a corrupção em nome da ascensão. Após a minha saída e o que considero uma "crucificação" política, observei um esforço delibe...

Minhas Memórias - Capitulo 35

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   Capítulo 35 - Os Primeiros Surtos - “O que pode levar uma pessoa à depressão, à loucura, ao desequilíbrio?” - Essa era a pergunta que eu me fazia após ter sido diagnosticado com a síndrome do pânico. Afinal, eu era uma pessoa bem-sucedida, reconhecida por ter feito um bom trabalho. Eu havia realizado conquistas não só para mim, mas para milhares de famílias que dependiam do sucesso do meu desempenho. Durante a minha gestão, conseguimos ser os servidores do Judiciário brasileiro mais bem pagos. - “Então, de onde veio essa coisa?" - Eu não conseguia entender. Talvez tudo tenha começado na época do sindicato e da federação. A cobrança era diária; além da categoria, eu me cobrava. As coisas tinham que ser perfeitas, eu não aceitava erros nem derrotas. Para evitar esses erros, eu preferia negociar com as autoridades sozinho. Não queria correr riscos com exclamações ou interrogações inoportunas de algum outro diretor. Eu não confiava no feeling deles, pois vinham de uma cultura d...

Minhas Memórias - Capítulo 34

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  Capítulo 34 - A Vida que Segue A aptidão para gerir crises é a marca de um político.  Ironia do destino: embora minha carreira tivesse florescido à frente de uma influente corporação, me colocando no centro de fatos políticos devido ao meu sucesso, eu nunca fui um político de verdade. E, francamente, crises sempre me causaram medo. Eu as enfrentava de frente, sim, mas o temor era real e constante. O preço desse emaranhado de responsabilidades foi cobrado pelo meu corpo. Minha saúde deu sinais claros de esgotamento: dores no peito, dificuldade para respirar e a incapacidade de terminar frases simples. A insônia, a ansiedade, os surtos de pânico e a instabilidade emocional me forçaram a uma decisão radical. Para retomar o controle da minha vida, renunciei à presidência da federação no início de 2002 e decidi voltar à estabilidade do trabalho cartorário. Naquele momento, eu já havia perdido a eleição sindical de 2001, mas ainda cumpria o mandato da federação, acumulando as duas...

Minhas Memórias - Capitulo 33

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  Capítulo 33 – O Chão da Oposição A ameaça física que sofri após a assembleia não me intimidou; ela acendeu um propósito. Aquele dia marcou o fim da minha tolerância com a velha política sindical, que era personalista e fechada. Eu sabia que, para mudar a essência do movimento, eu precisava ir além dos convênios e das orientações previdenciárias: eu precisava entrar na disputa. A notícia do confronto no Rio de Janeiro se espalhou como um rastilho de pólvora, não apenas na capital, mas principalmente no interior, onde minha atuação com os convênios e a ajuda aos novos concursados já havia me dado uma base de confiança. O que eu não esperava era a reação imediata de alguns colegas da capital que também estavam insatisfeitos com os rumos da direção. Eles não tinham a coragem, ou talvez o histórico, para se levantar na assembleia, mas viram em mim a voz que precisavam. Formamos um grupo inicial de cinco pessoas: três da capital, um de Niterói e eu, representando o interior. O objetivo...