O Silêncio dos Vidros Fumês
O Silêncio dos Vidros Fumês Por Comendador Cesar A Salgueiro Eu amo a vida. Amo Deus, amo o sol que me acorda e cada detalhe que a existência me emprestou sem pedir nada em troca. Mas, se a natureza é generosa, o tal do "animal racional" é uma decepção estatística. Parei para observar e a conclusão é amarga: a verdade é que ninguém está aí para os problemas do próximo. Vivemos a era das amizades de vitrine. As pessoas são amigas de quem está bem de vida, de quem exibe o sorriso largo e o bolso cheio. Quem não precisa de ajuda tem o mundo aos seus pés; mas basta o primeiro sinal de naufrágio para que os barcos ao redor desapareçam no horizonte. Ninguém quer o peso do problema alheio, principalmente se ele vier de um desconhecido. A empatia, hoje, é uma peça de museu ou uma hashtag vazia. Sinto isso na pele. No primeiro momento em que precisei de ajuda, o que ouvi foi o barulho ensurdecedor do silêncio. Seja no brilho artificial das telas da internet ou na crueza...