O Equilibrista da Calçada
O Equilibrista da Calçada Por: Comendador Cesar A Grande A rua não é apenas um lugar de passagem; é um campo minado e um jardim secreto ao mesmo tempo. Eu caminho com o corpo dividido. O olho esquerdo vigia a sombra que se aproxima rápido demais, o medo gelado do assalto, a mão protegendo o bolso. O instinto de sobrevivência dita o ritmo acelerado. Mas o olho direito... ah, esse busca o milagre. Ele procura um rosto na multidão, um novo amor que possa surgir dobrando a esquina. É uma tensão elétrica. No meio do caos, meus ouvidos filtram o barulho dos motores para encontrar a música de um salto no asfalto ou uma risada solta. Caminho tenso, mas com o coração aberto, caçando beleza no meio do perigo, esperando que o próximo esbarrão não seja um roubo, mas um encontro. De repente, um ronco de escapamento estoura logo atrás. O músculo contrai, o sangue gela. É o predador ou apenas a pressa alheia? O vulto passa rasgando o vento — era só um entregador correndo contr...