O Ofício de Amar os Dias
Ofício de Amar os Dias Por Comendador Cesar A Salgueiro Dizem que a felicidade é um horizonte distante, algo que se alcança apenas após grandes conquistas ou em datas marcadas no calendário. Mas, para quem aprendeu a ler a poesia do cotidiano, a felicidade não é um evento; é um estado de presença. É o que acontece quando decidimos, simplesmente, amar o dia que passamos em vida. Amar o sol é fácil — ele nos aquece e doura a pele. Mas amar a chuva requer uma sabedoria mais profunda, a compreensão de que a terra precisa beber para que o verde continue vivo. E a brisa? A brisa é o carinho invisível do mundo, aquele lembrete sutil de que estamos respirando e que, enquanto houver ar, haverá possibilidade. Existe um refúgio sagrado nesse rastro de gratidão: a minha varanda. É aqui, entre o movimento da rua e o silêncio do lar, que o cronista da própria vida se senta para observar. Na minha varanda, o tempo desacelera. É o lugar de ver o mundo passar sem a pressa...