O Elogio do Vazio
O Elogio do Vazio Por: Comendador Cesar A Salgueiro Dizem que a natureza abomina o vácuo, mas hoje eu decidi convidá-lo para um café. Estou diante de uma folha branca que me encara com a mesma intensidade com que encaro a parede. Não tenho uma tese, não tenho uma notícia urgente, não tenho sequer uma opinião formada sobre o barulho do mundo lá fora. Tenho apenas o nada. E, curiosamente, o nada é um lugar muito preenchido. Quando a gente se permite parar de "fazer", a gente finalmente começa a "ser". É um verbo difícil, quase esquecido em tempos de produtividade frenética. Percebo, então, que o ar que entra no meu pulmão não pede licença nem currículo; ele apenas flui. O oxigênio é o único texto que realmente importa agora. Olho pela janela e vejo o movimento descompromissado da vida. O vento balança a copa das árvores com um desleixo invejável. Se a natureza não se obriga a dar frutos o ano inteiro, respeitando suas estações de dormência, por que eu haveri...