Do BANHEIRO AO EXÍLIO
Do BANHEIRO AO EXÍLIO
Por Comendador Cesar A Salgueiro
Quando revisito as memórias de como fui retirado da vida política, a amargura cede lugar a uma clareza cortante: “eu fiz o que era certo”. E, no xadrez do poder, fazer o certo costuma ter um preço alto.
O ambiente político pode ser um mundo de sombras, onde a honestidade é vista como ingenuidade e ideais nobres são tratados como fraquezas.
Para quem enxerga apenas o poder pelo poder, alguém que trabalha por convicção é um erro no sistema.
Fui julgado e crucificado por mentes que adoeceram na própria ambição; exilado e difamado até que selassem todas as portas para o meu retorno.
O que eles não perdoam, no fundo, não são meus erros, mas meus acertos.
Não perdoam os salários dignos, a valorização do servidor ou o fato de eu ter transformado um sindicato — que nasceu precariamente em um banheiro desativado do fórum central — em uma instituição de respeito.
Erguer uma sede social, uma sede recreativa e uma cooperativa de crédito que hoje integra o sistema Sicoob não foram apenas conquistas administrativas. Foram ofensas pessoais para aqueles que cultivam o ódio no vazio de suas próprias incompetências.
O sucesso de oito anos de mandato foi o combustível para o ressentimento dos medíocres. Onde deveria haver orgulho pelo patrimônio conquistado e pela dignidade alcançada, brotou a fúria.
A balbúrdia e o oportunismo não suportam o diálogo que constrói; a desordem não tolera a convivência que vence.
Fui tirado da política, é verdade. Mas saí com o peso das obras, enquanto eles ficaram com a leveza de suas próprias sombras.
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