O meu Inferno Astral

 


O meu Inferno Astral
Por Comendador Cesar A Salgueiro 

Dizem que o inferno astral é uma convenção, mas para mim, nestes últimos dezenove dias, ele tem sido uma parede de vidro. 

Eu vejo as pessoas, elas me veem, mas o som chega distorcido. Ontem, sonhei com o filho de um ídolo da boemia; ele ia embora sem dizer nada, e no sonho, aquele silêncio não me doía, ele me explicava.

O que dói, na verdade, é a pressão aqui fora. Os amigos, com suas boas intenções que pesam como chumbo, querem que eu descreva o indescritível. Querem que eu gestione a mágoa deles, como se eu fosse o responsável pelo que eles sentem quando eu decido me calar. 

Não estou no meu 'normal', seja lá o que o normal signifique hoje. 

Sinto uma tentativa de manipulação sutil, disfarçada de cuidado, que tenta me puxar para uma festa onde eu sou o convidado de honra, mas prefiro ser o observador invisível. 

Este ano, meu presente de aniversário não é festa, é o respeito ao meu espaço.


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