O Silêncio dos Vidros Fumês
O Silêncio dos Vidros Fumês
Por Comendador Cesar A Salgueiro
Eu amo a vida. Amo Deus, amo o sol que me acorda e cada detalhe que a existência me emprestou sem pedir nada em troca.
Mas, se a natureza é generosa, o tal do "animal racional" é uma decepção estatística. Parei para observar e a conclusão é amarga: a verdade é que ninguém está aí para os problemas do próximo.
Vivemos a era das amizades de vitrine. As pessoas são amigas de quem está bem de vida, de quem exibe o sorriso largo e o bolso cheio. Quem não precisa de ajuda tem o mundo aos seus pés; mas basta o primeiro sinal de naufrágio para que os barcos ao redor desapareçam no horizonte. Ninguém quer o peso do problema alheio, principalmente se ele vier de um desconhecido.
A empatia, hoje, é uma peça de museu ou uma hashtag vazia.
Sinto isso na pele. No primeiro momento em que precisei de ajuda, o que ouvi foi o barulho ensurdecedor do silêncio. Seja no brilho artificial das telas da internet ou na crueza da vida real, o lema é o mesmo: cada um por si e Deus por todos — como se Deus fosse um escudo para o nosso egoísmo.
A sociedade está falida e a religião, outrora um porto, hoje parece desacreditada, um balcão de negócios ou um palco de aparências. O ser "humano" — entre aspas mesmo, porque a humanidade parece ter fugido do peito — mostra uma índole preocupante. O que restou para manter esse bicho "homem" na linha? Se o medo do inferno não basta e o amor ao próximo secou, somos apenas predadores de terno e gravata.
Sigo amando o mundo, as flores e o Criador, mas guardo um desprezo lúcido pela falência moral dessa civilização. Olho para fora e só me resta uma prece: que a natureza, em sua sabedoria bruta, e a sorte, em sua aleatoriedade, ajudem esta civilização a sair da falência total. Porque, se depender da mão do homem, o último que sair esquecerá de apagar a luz. 🌺
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