O Amadurecimento Inverso

 


É assustador, amadureci rápido demais!


Na juventude, o mundo me parecia um lugar grande demais, e eu, pequeno e inadequado. Eu me escondia. A timidez não era apenas um traço de personalidade, era um refúgio.  

Eu me achava feio, e essa crença era o manto de invisibilidade que eu vestia todos os dias para evitar os olhares alheios. Vivia recolhido, como quem pede desculpas por ocupar um espaço no mundo. 
Mas o tempo, esse mestre irônico, pregou-me uma peça das boas. Depois de velho, a vergonha parece ter cansado de mim e foi embora sem se despedir. 

 Hoje, para a minha própria surpresa, virei exibido. O espelho, que antes era meu juiz, tornou-se meu cúmplice.

Engraçado pensar que a liberdade veio justamente de onde muitos buscam a perfeição: as redes sociais. 

 No início, eu era apenas mais um espectador, mas aos poucos, elas me fizeram me "achar". 

Não o "achar-se" da arrogância, mas o de quem finalmente se encontra após décadas de desencontro. Passei a me enxergar sem as lentes do julgamento. 

 No começo, eu ainda tateava, buscava o melhor ângulo, o filtro que escondia as marcas do tempo. Mas a verdadeira felicidade bateu à porta quando decidi fazer o caminho inverso. 

Comecei a usar menos filtros e mais verdade. 
Comecei a me aceitar inteiramente — com as rugas, os cabelos brancos e as posições que agora defendo sem medo.

 Ao abrir mão do disfarce, ganhei o mundo. 

Descobri que a beleza de ser quem se é, sem retoques, traz uma leveza que a juventude nunca soube me dar. No fim das contas, a velhice não me tirou a beleza; ela me deu a coragem de ser feliz em público.

 Hoje, as redes sociais são mais do que janelas; elas são o preenchimento exato dos meus espaços vazios. 

Aposentado há quinze anos, aprendi a dividir o meu tempo entre o cuidado com o corpo e o afeto com o outro. 

 Minhas manhãs têm o ritmo da academia, o esforço físico que me mantém ativo. Mas é quando volto para casa que o meu dia realmente ganha cor. Eu me dedico a esse novo ofício: cultivar amizades. 

No Facebook, e no Instagram, encontrei um jardim de generosidade. 

 Minhas amigas são de uma gentileza que eu não esperava encontrar nesta fase da vida. São amáveis, gentis e amorosas; palavras que, antigamente, eu teria vergonha de receber, mas que hoje aceito com o peito aberto.

Nessa troca de afetos, descobri que ser "exibido" é, na verdade, estar disposto a ser visto e a ver o outro. 

 Não estou apenas matando o tempo; estou vivendo uma primavera que a juventude, com todo o seu medo, jamais me permitiu aproveitar.

OBRIGADO ❤️

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