O Mundo Virginal

 



O Mundo Virginal

Por Comendador Cesar A Salgueiro 

Eu acostumei-me a enxergar o horizonte através das copas das árvores e dos cumes das montanhas. Não sei mais como é viver entre tijolos e concreto, asfalto e motores de veículos.

O calor das grandes cidades não vem só do céu; ele nasce no piso e sobe como labaredas em capim seco. O ar quente me causa náuseas e falta de ar. Sou como um indígena em isolamento voluntário: mutante e em constante progresso involutivo.

Preciso de espaço livre, de ar fresco, de mata, chuva e sol. A minha plenitude será colocar os pés na grama úmida e sentir a origem da vida na sola deles. Estar só no meu Éden primordial é estar no ventre do Deus criador, da Eva de Adão, do caos original.

Podem me rotular de qualquer nome, podem até me desacreditar. Não vim do pó e em pó não me transformarei; mas o mesmo fogo que me deu a vida, este sim, me levará de volta ao mundo virginal. 

Minha vida e a minha história ficarão em suspensão atmosférica, como registros tangíveis de narrativas afetivas.

A vida é assim… uma bolha de sabão de vida curta e frágil.


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