A Geometria do Nada
A Geometria do Nada
Por Comendador Cesar A Salgueiro
Aos nove anos, aprendi que o mundo é feito de partidas. Meu pai se foi para o eterno; minha mãe, para a sobrevivência. No vácuo que ficou entre a porta da rua e o silêncio da sala, eu brotei. Não fui plantado, fui obra do acaso e da necessidade.
Hoje, as pessoas — essas que se julgam dotadas de uma inteligência superior — tentam cercar o meu céu com pontos de interrogação. "Para onde você vai?", "O que pretende fazer?". Elas não entendem que a liberdade não é um plano de voo com escala marcada; é a recusa absoluta de dar satisfação.
Voar contra o vento não é rebeldia juvenil. É o jeito que encontrei de sentir a resistência da vida, de saber que ainda estou aqui.
Sigo em direção ao nada. Para muitos, o nada é o abismo; para mim, é a passagem final, o ponto onde a cobrança cessa e o cansaço descansa.
O início ficou lá atrás, na poeira da infância. O meio está dobrando a esquina. E o fim? O fim eu não apresso. Ele que espere, pois enquanto houver vento contrário, eu ainda terei direções para inventar. 🌺
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