QUANDO NOS TORNAMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS.
QUANDO NOS TORNAMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS.
Por: Comendador Cesar A Salgueiro
Hoje, aos 72 anos, finalmente consigo entender o meu pai. Consigo compreender seu comportamento e até aquele temperamento instável que tanto me intrigava.
A verdade é curiosa: hoje tenho idade para ser pai do meu próprio pai. Ele faleceu jovem, com 42 anos.
Ao olhar para o homem que me tornei, percebo que não sou maior nem melhor do que ele foi. Sinto que a hierarquia desapareceu. Não somos mais "pai e filho"; somos homens iguais, compartilhando os mesmos desejos e objetivos.
Quando criança, era difícil decifrar as variações de humor daquele gigante que me protegia. Eu, sem problemas emocionais, financeiros ou amorosos, não fazia ideia dos "porquês" da vida adulta.
É claro que não escrevemos nossa história sozinhos — são muitas mãos envolvidas. Mas parece que o grande objetivo acaba sendo sempre o mesmo: criar família e criar filhos. O ciclo é inexorável:
Nós, filhos, crescemos e viramos amigos dos nossos pais.
Com o tempo, nos tornamos irmãos deles.
Por fim, acabamos virando os pais dos nossos pais.
E então, eles se vão. Ficam os filhos, que reiniciarão o ciclo de se tornar amigos, irmãos e pais. Pensar nisso tudo às vezes me dá preguiça.
No fundo, a conclusão é simples: o melhor mesmo é viver, não pensar muito e ser feliz com o que for possível.
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