Minhas Memórias - Capitulo 36

 

Capítulo 36 - A Amarga Desilusão de uma Trajetória Política


Ao longo de doze anos, dediquei uma parte significativa da minha vida à representação e à gestão. 

Foram oito anos à frente de uma entidade sindical, Sindjustiça Rj, e mais quatro anos na presidência da respectiva Federação Nacional, Fenajude. 

Foi uma trajetória que deveria ser marcada por conquistas e legado, mas que, para mim, se tornou um relato de profunda desilusão.

O que testemunhei e senti na pele não foi a celebração da divergência democrática, mas sim um embate impiedoso movido por um grupo político que demonstrou uma busca incessante e implacável por poder. 

Para esses atores, a interferência no processo democrático se tornou um meio justificado por um fim. Vi de perto a utilização de táticas que, a meu ver, ultrapassam todos os limites éticos: a subjugação, a chantagem e a corrupção em nome da ascensão.

Após a minha saída e o que considero uma "crucificação" política, observei um esforço deliberado para apagar os resultados positivos da minha gestão – o crescimento, as melhorias e as conquistas consolidadas. 

Uma nova narrativa foi urdida, não apenas para enganar os representados, mas para mascarar e justificar ações que considero inconstitucionais e desleais, culminando em retaliações pessoais que envolveram roubo, prisão e o exílio do meu próprio histórico. 

O que sobra é a constatação de que, embora esses métodos possam levar à vitória, eles nunca resultam em excelência; são tidos por mim como o reflexo da mediocridade, da deslealdade e do oportunismo.

Minha experiência não foi baseada em reportagens ou manchetes; foi vivida. 

Eu presenciei a manipulação de uma categoria que, cheia de sonhos e esperança, era sistematicamente iludida e dominada por um discurso que chamo de "mentira vermelha". 

Minhas obras foram deliberadamente desfeitas, não por ineficácia, mas por divergência ideológica, por discordar de "mandamentos" que considero questionáveis.

Hoje, enquanto cumpro uma sentença que interpreto como fruto dessas influências e desse falso idealismo de igualdade, minha conclusão é definitiva: não retornarei ao meio político.

O mundo, inegavelmente, precisa de política e de políticos éticos, tal como precisamos de oxigênio. Contudo, o ambiente que vivenciei é tóxico e viciante, sustentado por uma lógica perversa: a dependência da miséria. Para um certo tipo de política, o eleitor "miserável" não é um problema a ser resolvido, mas sim um "patrocínio" a ser mantido. É essa dinâmica que me afasta e me "vacina" contra os "fabricantes de sonhos e desilusões".

Minha passagem foi apagada, mas a lição permanece. Agora, meu único desejo é o silêncio e o recuo. 

Que a história um dia possa ser reavaliada fora do calor das paixões e da necessidade de justificar o poder a qualquer custo.

O tempo, o senhor de todas as coisas, Deus, esse não parou e trouxe o remédio pra cura. 

Sem mágoas, rancores, arrependimentos, sou feliz, vivo feliz e em paz.


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É fundamental ressaltar que este relato constitui uma coleção de memórias pessoais e não um registro histórico completo. Os eventos aqui descritos refletem exclusivamente a minha perspectiva, meus sentimentos e minha experiência individual, sem considerar as visões, os sentimentos ou as experiências dos demais envolvidos.

Este não é um trabalho de pesquisa, mas sim um relato profundamente pessoal. O leitor encontrará aqui apenas a minha verdade e a minha interpretação dos acontecimentos, sem qualquer pretensão de representar a realidade integral ou as perspectivas dos outros participantes."


Eu agradeço a atenção e o carinho dos leitores. 

Não é o fim de tudo, só dessa etapa. 🌹


Comendador Cesar A Salgueiro. 

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