Tempo e Deus: Uma Reflexão Pessoal
Tempo e Deus: Uma Reflexão Pessoal
Por Comendador Cesar A Salgueiro
É inevitável: desde o momento em que nascemos, eu estou subjugado ao tempo. Ele não é apenas o compasso de minha vida, mas o guia implacável que me conduz, a cada instante, até o meu fim.
O tempo é, em sua essência, traiçoeiro : pode ser incrivelmente bom e, ao mesmo tempo, cruelmente indiferente.
Frequentemente ouvimos dizer que "Deus proverá" ou que "Deus trará a cura". Eu, no entanto, reformulo essa máxima. É o Tempo quem provê e é o Tempo quem traz a cura.
O Tempo é a materialização dessa força que molda nossa existência, dando-nos e tomando-nos, em um ciclo incessante.
Minha única liberdade, meu verdadeiro livre-arbítrio, reside em como eu escolho utilizar esse recurso finito. É uma escolha que define quem eu sou.
Observo que os mais fragilizados tendem a buscar refúgio em rituais, em imagens e em religiões criadas por reis, políticos, loucos e sábios – estruturas erguidas pela necessidade humana de apaziguar a incerteza da vida.
Já os que se reconhecem como fortes usam o Tempo de forma diferente: não o temem, mas o tornam um aliado para se fortalecerem e se aprimorarem a cada ciclo.
Para mim, a essência do que chamamos de Deus está presente em todo lugar, mas é sentida de forma mais palpável em nossa interioridade. O Tempo, então, se torna a exterioridade possível dessa Divindade.
Pense nisso: ao abrir meus olhos, o Tempo está lá, presente. Ao fechá-los, o Tempo continua lá, inabalável. Ninguém pode pará-lo. Pelo contrário, o Tempo tem o poder de parar a minha vida. É ele quem dita o período que tenho para experienciar este planeta.
Então, Deus existe? Sim. Ele está vivo muito antes do meu nascimento e continuará vivo por muito tempo após a minha morte. Ele é a imortalidade. É a força que dá a vida e que a toma. É a entidade que cria mundos, estrelas e planetas, e os destrói para, então, reconstruir novamente.
Ao compararmos a influência que Deus supostamente tem nas nossas vidas com a influência real e mensurável que o Tempo exerce, a conclusão é clara. O Tempo é esse poder supremo.
Portanto, eu não culpo Deus pelas minhas misérias, nem o agradeço pelos meus sucessos.
Eu me lembro que essa entidade – o Tempo – me concedeu o arbítrio. A responsabilidade é inteiramente minha, pois fui eu quem escolhi como gastar o recurso mais valioso que me foi dado.
Qualquer narrativa que tente contradizer esses fatos é, para mim, pura especulação e tentativa humana de fugir à responsabilidade do próprio viver. Eu vivo sob a lei do Tempo.
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