O Cansaço de Ser Bicho-Homem
O Cansaço de Ser Bicho-Homem
Por Comendador Cesar A Salgueiro u
Acordo com medo de dormir e durmo com medo de acordar. Parece um paradoxo, um nó cego na boca do estômago, mas é o meu estado civil atual. Olho para o teto e a pergunta vem, antes mesmo do café: o que foi que a gente virou? Ou pior: o que é que a gente sempre foi e eu só percebi agora?
Dizem que somos a espécie racional. Mas, se você abre o jornal, a racionalidade parece ter tirado férias permanentes. O mundo virou um playground de egos gigantescos, um tabuleiro onde três ou quatro nomes — Netanyahu, o Ayatollah, Trump, o Hezbollah — jogam dados com as nossas vidas. Eles gritam de seus púlpitos, trocam ameaças por satélite, e o resto de nós, a "humanidade comum", fica aqui embaixo, encolhida, esperando o próximo estrondo.
Dá uma vergonha latente de pertencer a essa raça. Uma vergonha de carregar o mesmo DNA de quem acha que a solução para a dor é o terror, que o caminho para a paz é o cemitério. Que loucura é essa? Da onde vem esse prazer em destruir o que mal aprendemos a construir?
Dizem que o ser humano é o ápice da evolução, mas eu olho para as notícias e sinto que somos apenas macacos com tecnologia demais e empatia de menos. A gente inventou a penicilina e o voo espacial, mas ainda não aprendeu a dividir o quintal sem apontar um canhão para o vizinho.
Eu queria pedir demissão da humanidade por uns dias. Só para não sentir esse peso de ser cúmplice, por tabela, de uma espécie que insiste em ser desumana. Para onde a gente vai? Não sei. Mas enquanto o mundo lá fora explode em manchetes de guerra, eu escrevo.
Escrevo para não enlouquecer, para tentar entender como é que se faz para ser gente num mundo que parece ter esquecido o significado da palavra.
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Escrito em 22/03/2026, 21:30 horas… após assistir só Fantástico da Rede Globo de Televisão.

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