O Ventre e o Veneno
O Ventre e o Veneno
Por Comendador CesarA Salgueiro
Confesso que não entendo. Assisto aos noticiários e a conta não fecha: como alguns homens conseguem pregar o ódio contra as mulheres? É um paradoxo que desafia a própria lógica da existência.
Todos viemos de algum ventre. Todos, sem exceção, fomos abrigados no silêncio de uma mulher-mãe. Antes do primeiro passo, antes da primeira palavra, fomos o sopro de vida que ela sustentou. Como alguém que saiu de dentro dessa força, que foi amamentado, cuidado e acalentado por essa fera protetora, pode hoje alimentar um sentimento tão cruel e sórdido por aquela que é o pilar da sua própria história?
Odiar a mulher não é apenas um ato de violência externa; é uma forma de odiar a própria origem. É como tentar cortar a raiz enquanto se quer os frutos. De onde vem tanto veneno para corromper o que um dia foi leite e afeto?
Talvez esse ódio nasça do medo. O medo da própria vulnerabilidade, o pavor de admitir que, no fundo, somos todos dependentes desse colo original. Quem esquece o toque da mãe, perde a bússola da própria humanidade. É uma tentativa covarde de apagar o rastro de quem fomos: seres pequenos que só sobreviveram porque uma mulher decidiu que o nosso coração deveria continuar batendo.
No fim, quem odeia o feminino, odeia a vida no que ela tem de mais sagrado: a capacidade de criar, de resistir e de cuidar. Resta a dúvida: até quando o mundo suportará homens que cospem no chão onde seus próprios pés aprenderam a andar?
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