O Espaço do Respiro
O Espaço do Respiro
Por : Comendador Cesar A Salgueiro
Existem dias em que o mundo parece insistir em nos colocar no centro de um palco que não pedimos para subir. Chegam com perguntas, com dilemas que não nos pertencem e com o peso de escolhas que, para nós, não têm a menor cor — e, ainda assim, esperam que decidamos o tom do azul.
Sinto, nessas horas, o aperto de quem é encurralado. Não é falta de vontade de ajudar, é excesso de mundo querendo caber dentro de um espaço que já está cheio de vida, de memórias e de silêncios necessários. Quando o interesse não existe, a escolha se torna uma âncora; e eu, que sempre prezei pelas estradas abertas e pelo vento no rosto, não nasci para carregar âncoras alheias.
O que peço é simples, embora pareça complexo para quem vive de urgências: me queiram por perto, mas respeitem a distância do fôlego. Não me sufoquem com a ideia de que devo ser um porto seguro ou um exemplo de conduta. Sou humano, com toda a precariedade que isso carrega. Às vezes, nem tão humano assim — talvez um bicho do mato, talvez apenas uma sombra entre as árvores da Serra, observando as nuvens passarem.
Não busquem porquês. Não tentem decifrar a minha tristeza ou o meu saudosismo como se fossem enigmas a serem resolvidos. Às vezes, a tristeza é só o descanso da alegria. Às vezes, o silêncio é a única conversa que vale a pena ter.
Ninguém deveria ser obrigado a sorrir quando a alma quer se recolher, nem a falar quando as palavras perderam o sentido. Sou eu, hoje, agora. Amanhã? O amanhã é um território que ainda não mapeei e não tenho pressa de colonizar.
Se quiserem me encontrar, não tragam perguntas. Tragam apenas a presença. Me vejam, me acolham e, acima de tudo, permitam que eu seja exatamente quem eu sou: um homem em busca da sua própria liberdade, sem o peso de ter que escolher o caminho de ninguém além do meu.
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