A Realidade do Rio de Janeiro
CRÔNICA:
A Realidade do Rio de Janeiro/Uma Inversão de Valores
Por: Comendador Cesar A. Salgueiro
Ao acompanharmos o noticiário diário, somos confrontados com uma dura e indigesta constatação: a criminalidade tornou-se um negócio altamente rentável.
O mais alarmante, contudo, não é apenas a ousadia dos infratores, mas a percepção de que as engrenagens que deveriam garantir a segurança e a fiscalização das leis muitas vezes falham de forma sistêmica.
Quando a impunidade passa a ser tolerada — ou pior, negociada nas sombras da omissão —, a população honesta acaba condenada ao cárcere do medo e da desordem pública.
Fica no ar uma reflexão amarga que ecoa nas ruas: qual é o verdadeiro incentivo para se erradicar a violência quando a desordem, historicamente, se mostra lucrativa para alguns?
O descompasso entre a missão do Estado e os tristes relatos estruturais de omissão é, sem dúvida, o combustível que garante a continuidade e a expansão das facções criminosas em nosso país.
Como um contraponto que beira a ironia, observamos a recente preocupação do poder público em decretar regras para o uso de ciclomotores e veículos autopropelidos. Uma medida que parece ter sido desenhada exclusivamente para a "vitrine" da cidade: o trecho que vai do Centro à Zona Sul, abraçando a orla e alguns poucos bairros privilegiados. Além dessa bolha urbanística, o que sobra é a invisibilidade de um Rio de Janeiro sem projetos e à margem do olhar do Estado.
Enquanto se debatem os limites para patinetes nas zonas nobres, nas demais vias a realidade é assustadora. Motocicletas circulam como fantasmas da lei: sem placas, conduzidas por pilotos sem habilitação e, não raro, servindo de veículo para ações criminosas contra pedestres vulneráveis. Atravessam passarelas, ignoram o uso de capacetes e zombam da ordem, tudo sob o véu de uma fiscalização inoperante.
Vivemos, assim, um cotidiano de sobressaltos e de abandono, no qual o cidadão de bem se vê acuado, desprovido de amparo e de seu direito natural à segurança.
Hoje, as orientações de sobrevivência urbana que recebemos soam como um atestado de falência social: "não saia com o celular", "esconda seus valores", "evite alianças e roupas de grife", "não manuseie dinheiro em público". Em suma, a recomendação moderna é triste, mas assustadoramente clara: recolha-se. Tranque sua casa com todos os ferros e ferrolhos possíveis, pois, do lado de fora, a liberdade parece ter se tornado um privilégio exclusivo daqueles que não respeitam as leis.
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