Crônica de um Velho de Guerra

 CRÔNICA POLITICA:


O Eterno Retorno do Mesmo
Crônica de um Velho de Guerra
Por: Comendador Cesar A Salgueiro 

Observar o cenário político do país é, antes de tudo, um exercício de paciência e de inevitável déjà vu. Olhamos para os lados e o que se vê é um campo que se diz de oposição, mas que, na verdade, se perde em um canibalismo inexplicável. A nossa direita caminha cheia de razão tática, mas carece de inteligência prática. Dividida, subdividida e fragmentada em vaidades, ela consome as próprias forças em ataques mútuos. Enquanto as alas se digladiam para ver quem herda um trono de areia, o centro do poder fica livre para o retorno daqueles que já conhecemos tão bem.

E assim, o Partido dos Trabalhadores se reinstala no topo da preferência de um povo castigado. Um povo desgraçado e desesperançado, envolvido por escândalos, corrupção crônica e violência por todos os lados. É o triunfo da inércia sobre a mudança. Olhamos para a frente e o horizonte não guarda surpresas: estamos condenados a experimentar, repetidamente, o mesmo do mesmo.

Temos leis para encher livros e blocos de papéis, temos a burocracia do documento e a solenidade do texto escrito. Mas falta-nos a prática. Falta-nos a punição que educa e a fiscalização que estabelece a ordem.

Em meio à tempestade da polarização cega — transformada hoje em uma suposta e rasa batalha entre o "bem" e o "mal" —, chega-se a vislumbrar alternativas ponderadas. Figuras técnicas e gestoras, como o governador de São Paulo, surgem como nomes interessantes no tabuleiro. No entanto, o ceticismo fala mais alto. Não há, no fundo da alma do brasileiro, uma vontade genuína de consertar o país. Há um incômodo diagnóstico sociológico que precisamos encarar: parece que o brasileiro gosta dessa bagunça, dessa desordem crônica e dessa falta de fiscalização que permite a cada um criar sua própria regra.

A engrenagem é complexa demais para que uma única liderança a mova. A descrença não nasce do nada; ela é fruto da experiência acumulada. Quando os anos se acumulam e nos tornamos velhos de guerra, a política deixa de ser uma paixão ou uma esperança e passa a ser apenas um ruído repetitivo do qual preferimos nos afastar.

Não se trata de covardia, mas de legítima autodefesa e preservação da paz. Não vale a pena gastar as palavras nem a saúde com um cenário que recusa o conserto. Diante do eterno retorno do mesmo, o silêncio e a distância tornam-se o único refúgio inteligente de quem já compreendeu o tabuleiro…. Tenho dito.


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