O Vento é a Fumaça
CRÔNICA:
O Vento é a Fumaça
Por :Comendador Cesar A Salgueiro
Cheguei a pensar que algumas passagens da minha vida fossem se tornar definitivas, vista toda a história vivida até cada um desses supostos "eternos fins". Ledo engano. Não existe fim. Ou melhor, o fim só acontece quando a carne deixa de respirar e a mente se torna escuridão.
Por incrível que pareça, em alguns dos melhores momentos da minha vida, eu não era feliz. Eu gostava do incerto, de testar minha capacidade de encarar os reveses e de experimentar os desafios; esses eram os meus momentos de maior alegria.
Tranquilidade, paz? É o que mais me incomoda nos dias atuais, nessa minha "aposentadoria" de tudo. A inquietude sacode o que deveria estar estagnado, provoca os impulsos e traz de volta a ansiedade — ferramenta essencial para a juventude e a fagulha que me devolve a felicidade de viver.
Na verdade, eu sempre soube que nunca "fui", que sempre "estive", e que neste mundo nada é real o tempo todo. Nos momentos de inconsciência, a coisa parece real, rígida e presente; mas, nos momentos de racionalidade, a vida, assim como as coisas que vemos nela, some como fumaça justo no instante em que procuramos guardá-la.
Então, não existem conclusões nem conceitos definitivos. O que existe é a vida. A vida de quem está vivo, vivendo, correndo riscos, movimentando-se. Feliz no agora, inseguro a qualquer momento, vitorioso nas glórias e correndo junto com o vento e a fumaça em direção ao próximo minuto.
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