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O Encontro que Não Houve

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  O Encontro que Não Houve Por: Comendador Cesar A Salgueiro  Ela estava na mesa ao lado. No começo, achei que estava acompanhada, mas logo percebi o silêncio e a distância entre o casal. O que eu não entendi foi o meu interesse em cada movimento dela. Fiquei ali, meio hipnotizado. Olhando o jeito dela sorrir, de mexer no cabelo, cada detalhe. Sem chegar perto, eu já sentia uma paixão danada por aquela mulher. Ela não me notou. Falei pros amigos e eles riram. Disseram que era só tesão, que eu estava imaginando coisas. Mas, para mim, tinha algo mais. O tesão é bicho urgente, mas o que eu sentia era uma vontade de ficar só ali, assistindo à cena, como se o tempo tivesse parado naquela mesa.  O amor, às vezes, nasce desse jeito meio bobo, de uma observação silenciosa que ninguém mais ao redor consegue notar. Talvez a gente se encontre de novo, talvez nunca mais. Não sei se eu queria repetir essa sensação ou se, ao ver de novo, o encanto se manteria. No fundo, eu tenho medo d...

O Cansaço de Ser Bicho-Homem

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  O Cansaço de Ser Bicho-Homem Por Comendador Cesar A Salgueiro u Acordo com medo de dormir e durmo com medo de acordar. Parece um paradoxo, um nó cego na boca do estômago, mas é o meu estado civil atual. Olho para o teto e a pergunta vem, antes mesmo do café: o que foi que a gente virou? Ou pior: o que é que a gente sempre foi e eu só percebi agora? Dizem que somos a espécie racional. Mas, se você abre o jornal, a racionalidade parece ter tirado férias permanentes. O mundo virou um playground de egos gigantescos, um tabuleiro onde três ou quatro nomes — Netanyahu, o Ayatollah, Trump, o Hezbollah — jogam dados com as nossas vidas. Eles gritam de seus púlpitos, trocam ameaças por satélite, e o resto de nós, a "humanidade comum", fica aqui embaixo, encolhida, esperando o próximo estrondo. Dá uma vergonha latente de pertencer a essa raça. Uma vergonha de carregar o mesmo DNA de quem acha que a solução para a dor é o terror, que o caminho para a paz é o cemitério. Que loucura é e...

O Ventre e o Veneno

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  O Ventre e o Veneno Por Comendador CesarA Salgueiro  Confesso que não entendo. Assisto aos noticiários e a conta não fecha: como alguns homens conseguem pregar o ódio contra as mulheres? É um paradoxo que desafia a própria lógica da existência. Todos viemos de algum ventre. Todos, sem exceção, fomos abrigados no silêncio de uma mulher-mãe. Antes do primeiro passo, antes da primeira palavra, fomos o sopro de vida que ela sustentou. Como alguém que saiu de dentro dessa força, que foi amamentado, cuidado e acalentado por essa fera protetora, pode hoje alimentar um sentimento tão cruel e sórdido por aquela que é o pilar da sua própria história? Odiar a mulher não é apenas um ato de violência externa; é uma forma de odiar a própria origem. É como tentar cortar a raiz enquanto se quer os frutos. De onde vem tanto veneno para corromper o que um dia foi leite e afeto? Talvez esse ódio nasça do medo. O medo da própria vulnerabilidade, o pavor de admitir que, no fundo, somos todos dep...

O Alívio de um Anjo de Mãos Fortes

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  O Alívio de um Anjo de Mãos Fortes Por: Comendador Cesar A Salgueiro   Passei os últimos meses em um embate silencioso com a minha própria cabeça. Não era apenas uma dor; era uma pressão, algo invisível e aterrorizante que parecia esmagar meus pensamentos.  O medo é um mestre cruel: ele me fez adiar check-ups, me fez temer que minhas piores desconfianças fossem reais e transformou meus dias em um labirinto de incertezas. Mas a vida tem seus mecanismos de luz.  Primeiro, veio a intuição de que aquela artrose — classificada como "infantil" por um médico anterior — poderia ser a verdadeira vilã por trás do meu mal-estar. Depois, uma conversa casual na academia plantou a semente: e se o remédio não fosse um comprimido, mas o toque? O destino se encarregou do resto. Na mesa ao lado, na lanchonete onde faço meus desejuns, estava Juan. Um rapaz jovem, massagista de profissão.  Confesso que a juventude dele me fez duvidar por um instante, mas algo me impeliu a marcar ...

O Mundo Virginal

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  O Mundo Virginal Por Comendador Cesar A Salgueiro   Eu acostumei-me a enxergar o horizonte através das copas das árvores e dos cumes das montanhas. Não sei mais como é viver entre tijolos e concreto, asfalto e motores de veículos. O calor das grandes cidades não vem só do céu; ele nasce no piso e sobe como labaredas em capim seco. O ar quente me causa náuseas e falta de ar. Sou como um indígena em isolamento voluntário: mutante e em constante progresso involutivo. Preciso de espaço livre, de ar fresco, de mata, chuva e sol. A minha plenitude será colocar os pés na grama úmida e sentir a origem da vida na sola deles. Estar só no meu Éden primordial é estar no ventre do Deus criador, da Eva de Adão, do caos original. Podem me rotular de qualquer nome, podem até me desacreditar. Não vim do pó e em pó não me transformarei; mas o mesmo fogo que me deu a vida, este sim, me levará de volta ao mundo virginal.  Minha vida e a minha história ficarão em suspensão atmosférica, como...

O Silêncio dos Vidros Fumês

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  O Silêncio dos Vidros Fumês Por Comendador Cesar A Salgueiro   Eu amo a vida. Amo Deus, amo o sol que me acorda e cada detalhe que a existência me emprestou sem pedir nada em troca.  Mas, se a natureza é generosa, o tal do "animal racional" é uma decepção estatística. Parei para observar e a conclusão é amarga: a verdade é que ninguém está aí para os problemas do próximo. Vivemos a era das amizades de vitrine. As pessoas são amigas de quem está bem de vida, de quem exibe o sorriso largo e o bolso cheio. Quem não precisa de ajuda tem o mundo aos seus pés; mas basta o primeiro sinal de naufrágio para que os barcos ao redor desapareçam no horizonte. Ninguém quer o peso do problema alheio, principalmente se ele vier de um desconhecido.  A empatia, hoje, é uma peça de museu ou uma hashtag vazia. Sinto isso na pele. No primeiro momento em que precisei de ajuda, o que ouvi foi o barulho ensurdecedor do silêncio. Seja no brilho artificial das telas da internet ou na crueza...

O Medo de Ser Amado aos 72

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  O Medo de Ser Amado aos 72 (Uma crônica sobre o pânico, a beleza e a aceitação do afeto) Por Comendador Cesar A Salgueiro  Dizem que o pânico é um medo sem rosto, um visitante indesejado que chega ao amanhecer e se recusa a ir embora ao anoitecer.  Eu o conheço bem.  Convivo com essa sombra que me sussurra perguntas sobre o amanhã e me faz temer o que ainda nem veio. Mas o que mais me intriga nesta jornada, aos meus 72 anos, não é a solidão — é, por incrível que pareça, o excesso de carinho. Eu me olho no espelho e vejo o tempo. Vejo as marcas, o cansaço, a beleza que eu acredito já ter partido há muito. No entanto, o mundo parece discordar de mim. Recebo afetos generosos, tanto de amigos físicos quanto virtuais. Homens e mulheres que me cercam de atenções, que me chamam de bonito, que me tratam com uma reverência que eu, às vezes, sinto não merecer. Confesso: esse amor me assusta. Dá medo de decepcionar, de não estar à altura de tanta gentileza. É como se eu vives...

Onde foi parar a doçura dos cabelos brancos?

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  Onde foi parar a doçura dos cabelos brancos? Por Comendador Cesar A Salgueiro   Sempre crescemos ouvindo que a velhice traz a sabedoria. Imaginamos que, com o passar das décadas, as arestas da alma se suavizam e o coração aprende a filtrar o que é realmente essencial.  Mas, às vezes, o que encontramos é o oposto: o "coice" gratuito e a palavra amarga saindo da boca de quem deveria ser mestre na arte da tolerância. É chocante presenciar uma pessoa, especialmente alguém que já atravessou seis décadas de vida, distribuindo durezas e vociferando contra o próximo sem motivo algum.  Fico me perguntando: que tipo de legado estamos deixando? O que os jovens aprendem ao observar esse comportamento cruel vindo de quem deveria ser o porto seguro da compreensão e da boa educação? A idade não deveria ser um salvo-conduto para a amargura. Pelo contrário, quem já viveu muito sabe — ou deveria saber — o poder curativo de uma palavra doce e o estrago que um insulto pode causar. Se ...

A Geometria do Nada

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    A Geometria do Nada Por Comendador Cesar A Salgueiro  Aos nove anos, aprendi que o mundo é feito de partidas. Meu pai se foi para o eterno; minha mãe, para a sobrevivência. No vácuo que ficou entre a porta da rua e o silêncio da sala, eu brotei. Não fui plantado, fui obra do acaso e da necessidade. Hoje, as pessoas — essas que se julgam dotadas de uma inteligência superior — tentam cercar o meu céu com pontos de interrogação. "Para onde você vai?", "O que pretende fazer?". Elas não entendem que a liberdade não é um plano de voo com escala marcada; é a recusa absoluta de dar satisfação. Voar contra o vento não é rebeldia juvenil. É o jeito que encontrei de sentir a resistência da vida, de saber que ainda estou aqui.  Sigo em direção ao nada. Para muitos, o nada é o abismo; para mim, é a passagem final, o ponto onde a cobrança cessa e o cansaço descansa. O início ficou lá atrás, na poeira da infância. O meio está dobrando a esquina. E o fim? O fim eu não apresso. ...

O Altar da Janela

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  O Altar da Janela Por Comendador Cesar A Salgueiro  Não espero pelo feriado, nem pelo fim do mês, Eu amo o tempo agora, em toda a sua nudez. Amo o dia que passa, o pulsar, a batida, O simples e imenso milagre de estar em vida. Amo o Sol que me invade e a chuva que cai, O ciclo do mundo que vem e que vai. Amo a brisa vadia que no rosto descansa, Lembrando que a alma ainda é criança. Minha varanda é o reino, o meu camarote, Onde a sorte me encontra sem que eu peça sorte. Ali vejo o mundo, o céu, o destino, E o que era gigante se faz pequenino. Amo a tarde de sábado, mansa e dourada, A promessa de pausa na longa jornada. E a manhã de domingo, com seu véu de paz, Onde o tempo se estica e o coração faz mais. Sem peso ou amarra, sem pressa ou engano, Amo a segunda, o humano, o cotidiano. Pois quem ama a semana, do início ao fim, Faz do próprio peito um eterno jardim. Bem vinda segunda-feira 🌺 Baseado na Crônica “O Ofício de Amar os Dias” de autoria do próprio Comendador.

O Ofício de Amar os Dias

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  Ofício de Amar os Dias Por Comendador Cesar A Salgueiro   Dizem que a felicidade é um horizonte distante, algo que se alcança apenas após grandes conquistas ou em datas marcadas no calendário.  Mas, para quem aprendeu a ler a poesia do cotidiano, a felicidade não é um evento; é um estado de presença. É o que acontece quando decidimos, simplesmente, amar o dia que passamos em vida. Amar o sol é fácil — ele nos aquece e doura a pele. Mas amar a chuva requer uma sabedoria mais profunda, a compreensão de que a terra precisa beber para que o verde continue vivo.  E a brisa? A brisa é o carinho invisível do mundo, aquele lembrete sutil de que estamos respirando e que, enquanto houver ar, haverá possibilidade. Existe um refúgio sagrado nesse rastro de gratidão: a minha varanda.  É aqui, entre o movimento da rua e o silêncio do lar, que o cronista da própria vida se senta para observar. Na minha varanda, o tempo desacelera. É o lugar de ver o mundo passar sem a pressa...

O Elogio do Vazio

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O Elogio do Vazio Por: Comendador Cesar A Salgueiro   Dizem que a natureza abomina o vácuo, mas hoje eu decidi convidá-lo para um café.  Estou diante de uma folha branca que me encara com a mesma intensidade com que encaro a parede. Não tenho uma tese, não tenho uma notícia urgente, não tenho sequer uma opinião formada sobre o barulho do mundo lá fora. Tenho apenas o nada. E, curiosamente, o nada é um lugar muito preenchido. Quando a gente se permite parar de "fazer", a gente finalmente começa a "ser". É um verbo difícil, quase esquecido em tempos de produtividade frenética.  Percebo, então, que o ar que entra no meu pulmão não pede licença nem currículo; ele apenas flui. O oxigênio é o único texto que realmente importa agora. Olho pela janela e vejo o movimento descompromissado da vida.  O vento balança a copa das árvores com um desleixo invejável.  Se a natureza não se obriga a dar frutos o ano inteiro, respeitando suas estações de dormência, por que eu haveri...

O POEMA: MANIAS E CURVAS

  O POEMA: MANIAS E CURVAS Não me tragam réguas, nem padrões, Eu não me meço por anos ou gerações. Meu tempo não é espera, é mergulho, Viver bem é o meu único orgulho. Trilhei labirintos de peito aberto, Sem mapa, sem guia, no rumo incerto. Nunca escolhi a próxima curva, Se o sol brilhava ou se a vista era turva. Gosto da solitude, desse meu chão, Para não dar ao outro o risco da mão. Se houver perigo, que seja só meu, No altar do destino, o aprendizado sou eu. Resolvido no plano, sem nada saber, Deixo as regras do mundo para quem quer prever. Mando nas manias que o peito sustenta, Pois é só quem se joga que a vida experimenta. Por Comendador Cesar A Salgueiro (Baseado na reflexão original de 2026).

O ARQUITETO DE LABIRINTOS

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    O ARQUITETO DE LABIRINTOS Por: Comendador Cesar A Salgueiro  Dizem que a vida é um projeto de engenharia, com fundações sólidas e prazos de validade. Mas eu nunca fui de plantas ou cronogramas.  Enquanto o mundo se ocupa em medir a longevidade e empilhar anos como se fossem troféus, eu me ocupo em gastar os meus com o que me faz vibrar.  Não me ligo em regras padronizadas; elas me sufocam o improviso. Minha trajetória não é uma linha reta, é um labirinto. E o detalhe é que eu nunca tentei achar a saída. Pelo contrário, eu me jogo nas curvas sem nunca ter planejado o próximo passo.  Existe uma beleza bruta em se perder por escolha própria. Se há riscos, que sejam meus. Prefiro a solitude não por falta de afeto, mas por excesso de zelo: meu caos é particular, e eu não aceito o peso de colocar ninguém na minha linha de frente. Dizem que é preciso saber as regras para jogar o jogo. Eu discordo. Eu me sinto resolvido justamente por não saber de nada, deixand...

O Amor no Modo Avião

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  O Amor no Modo Avião:  Por: Comendador Cesar A. Salgueiro Vivemos a era do amor asséptico.  Fugimos para o virtual não por modernidade, mas por uma estratégia de redução de danos.  O amor real — aquele de carne, osso e boletos — é barulhento, faz sujeira e, acima de tudo, dói. O amor de verdade vem acompanhado de sentimentos que não são bonitos: o ciúme que corrói, o tédio das tardes de domingo e a exposição das nossas falhas, sem filtros.  Diante do medo de sermos feridos, escolhemos a frieza do vidro. Mas por que o virtual nos seduz? … No chat, temos o poder de editar nossa própria vulnerabilidade; apagamos o erro antes que o outro o veja e projetamos no próximo apenas aquilo que nos falta.  Assim, apaixonamo-nos por pixels, não por pessoas. Afinal, onde não há toque, não há risco; e onde não há entrega, não há cicatriz. O amor virtual é indolor, mas funciona como um alimento sintético: mata a fome de companhia, mas não nutre a alma.  Ao fugirmos d...

O Luxo de Abrir os Olhos

  O Luxo de Abrir os Olhos Por Comendador Cesar A Salgueiro  Às vezes, a gente passa a vida correndo atrás de uma felicidade que tem etiqueta de preço, prazo de validade e um brilho que some na primeira chuva.  A gente projeta a alegria no "quando": quando eu comprar, quando eu viajar, quando eu chegar lá. Mas, ultimamente, tenho percebido que o "lá" é aqui e o "quando" é agora. Não existe espetáculo mais grandioso — e mais gratuito — do que o de acordar. Abrir a janela e dar de cara com a criação é o meu primeiro ritual de luxo.  Olhar para a natureza não é apenas ver árvores ou o céu; é ler a assinatura de Deus em cada detalhe. É sentir que, enquanto o mundo se descabela por coisas palpáveis que o tempo consome, a verdadeira riqueza está no que é invisível aos olhos, mas gigante no peito. A felicidade não mora no que a gente acumula, mas na gratidão pelo que a gente já recebeu antes mesmo de pedir: o fôlego, o amanhecer e essa presença divina que aquece ...

O Equilibrista da Calçada

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  O Equilibrista da Calçada Por: Comendador Cesar A Grande  A rua não é apenas um lugar de passagem; é um campo minado e um jardim secreto ao mesmo tempo. Eu caminho com o corpo dividido.  O olho esquerdo vigia a sombra que se aproxima rápido demais, o medo gelado do assalto, a mão protegendo o bolso. O instinto de sobrevivência dita o ritmo acelerado. Mas o olho direito... ah, esse busca o milagre. Ele procura um rosto na multidão, um novo amor que possa surgir dobrando a esquina. É uma tensão elétrica.  No meio do caos, meus ouvidos filtram o barulho dos motores para encontrar a música de um salto no asfalto ou uma risada solta. Caminho tenso, mas com o coração aberto, caçando beleza no meio do perigo, esperando que o próximo esbarrão não seja um roubo, mas um encontro. De repente, um ronco de escapamento estoura logo atrás. O músculo contrai, o sangue gela. É o predador ou apenas a pressa alheia? O vulto passa rasgando o vento — era só um entregador correndo contr...

QUANDO NOS TORNAMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS.

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  QUANDO NOS TORNAMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS . Por: Comendador Cesar A Salgueiro  Hoje, aos 72 anos, finalmente consigo entender o meu pai. Consigo compreender seu comportamento e até aquele temperamento instável que tanto me intrigava. A verdade é curiosa: hoje tenho idade para ser pai do meu próprio pai. Ele faleceu jovem, com 42 anos.  Ao olhar para o homem que me tornei, percebo que não sou maior nem melhor do que ele foi. Sinto que a hierarquia desapareceu. Não somos mais "pai e filho"; somos homens iguais, compartilhando os mesmos desejos e objetivos. Quando criança, era difícil decifrar as variações de humor daquele gigante que me protegia. Eu, sem problemas emocionais, financeiros ou amorosos, não fazia ideia dos "porquês" da vida adulta. É claro que não escrevemos nossa história sozinhos — são muitas mãos envolvidas. Mas parece que o grande objetivo acaba sendo sempre o mesmo: criar família e criar filhos. O ciclo é inexorável: Nós, filhos, crescemos e viramo...

MAIS UMA REFLEXÃO

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  Aquela Reflexão Matinal Por Comendador Cesar A Salgueiro  Tenho por hábito refletir sobre a vida, a minha vida: as coisas que vi, passei, senti e vivi. Foi uma longa jornada até aqui. Foi divertido, às vezes duro; foi educativo, informativo e, outras vezes, fútil.  Conheci um mundo de gente, mas "pessoas" foram poucas. Algumas importantes, outras só figurantes. Mas trouxe comigo alguns tesouros. Trouxe um amigo maduro que escolhi como irmão, que passou alguns desses momentos ao meu lado e até hoje me presenteia com sua atenção e acolhimento no seio de sua família. Trouxe um amigo não tão maduro, mas que escolhi como irmão mais novo e que me viu crescer como homem, como profissional e como o político que fui, quando fui. Esse é aquele que chamo de “meu garoto”. E trago no meu coração um amor que partiu cedo para o outro plano, a quem devo a minha vida e tudo o que sou hoje. Minhas escolhas foram as escolhas desse amor. Se Deus não tivesse tanto ciúme de mim e dos meus am...

72 Anos: O Menino que Aprendeu a Vencer

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  7 2 Anos: O Menino que Aprendeu a Vencer Por Comendador Cesar A Salgueiro   Amanhã, às 23:15, completo meus 72 anos. Quem me vê hoje, feliz e em paz no meio da floresta na Serra Carioca, talvez não imagine a estrada que percorri para chegar aqui. A vida me desafiou cedo. Aos 10 anos, me vi órfão de pai. Aos 16, emancipado, já conhecia a dureza de não ter onde dormir após a partida da minha mãe. Fui o menino que cresceu sozinho, que dormiu na rua, mas que nunca aceitou que aquele fosse o seu fim. Daquele chão duro, levantei. Morei no Mato Grosso, vivi com os índios, encontrei anjos desconhecidos pelo caminho e transformei minha dor em luta. Aquele menino virou Presidente do Sindicato do Judiciário Fluminense e da Federação Nacional. Caminhei ao lado de Brizola, lutei pelos direitos de tantos, talvez para compensar as vezes em que tive que lutar sozinho por mim. Hoje, aposentado desde 2014, minha maior conquista é essa paz. Agradeço aos milhares de amigos aqui das redes e à vi...