O Entre-Lugar
O ENTRE-LUGAR Por Comendador Cesar A. Salgueiro O movimento que antes era ímpeto físico — o nadar, o correr, o voar — converteu-se em uma angústia estática. Encontramo-nos em um limbo estranho, comprimidos entre um passado obsoleto e um futuro indecifrável. Temos asas, mas nos falta a bússola. No início, rastejar pelo chão áspero era doloroso, mas havia um mapa. Quando a evolução nos devolveu aos oceanos e a química orgânica se complexificou nas águas, ganhamos agilidade, mas perdemos a rota. Pela sobrevivência, retornamos à terra. Fugindo do perigo dos mares, desenvolvemos membros robustos, conquistamos a velocidade e, finalmente, o céu. Voar é magnífico, contudo, o vazio persiste. O drama da nossa era não é a escassez de progresso, mas a permanência no "entre": o hiato entre o que fomos e o que ainda não ousamos ser. Somos os seres que dominam as alturas, mas que ainda tremem diante da incerteza do horizonte. Nossa busca por respostas nos empurra às prof...