O Peso das Malas Vazias
O Peso das Malas Vazias Eu nunca fui bom com os pontos finais. Há quem diga que despedir-se é um tipo de libertação, mas, para mim, cada "adeus" soa como um rasgo. Ao longo da vida, especializei-me em colecionar partidas: grandes amores que se tornaram estranhos, amigos que o tempo diluiu e lugares que hoje só visito na memória. Dizem que a gente se acostuma, mas a verdade é que o nó na garganta é sempre o mesmo. Não importa se é o terminal de um aeroporto ou o silêncio que fica no quarto depois que alguém vai embora; a sensação de que um pedaço da gente foi levado na bagagem do outro é constante. Eu não gosto de partidas. Elas me deixam com essa sensação de inacabado, como um livro que teve a última página arrancada bem na hora do desfecho. Por causa desse peso, fiz uma escolha: o desapego. Decidi que prefiro o vazio da isenção ao risco da perda. Hoje, caminho com as mãos leves e o peito blindado. Não quero mais me enraizar em novos rostos, não bus...